sábado, 29 de janeiro de 2011

Irmã Morte


Quero viver para sentir seu cheiro de flor do campo preso no ar, e olhar para dentro do coração e desejar uma viajem através do infinito a luz de velas na imensidão do desconhecido.

Tanto perfume há no seio da mulher, tanta vida há naqueles beijos calientes, mas sombria é a voz que responde: Dormirás ao relento. É um paraíso esta terra, então quando partir?

O coração aquece. Não! No coração da amada a viaje não padece... Emergir, renascer das cinzas no seu coração é o desejo.

Meu coração é a liberdade que sacode a poeira das asas da consciência _Impossível e horrível é a mesma voz com gargalhar irônico, que retorna!

O futuro é promissor: Vamos! O coração embala, o eco no infinito repete _Vamos!_ O futuro... O futuro no seu coração e impossível e horrível é a mesma voz com gargalhar irônico, que retorna da lápide!

Partir e despedir dos sentidos pela noite afora, a irmã lamenta despedir, mas despedir é deixar estrelas e levar flores; cama macia por desconhecida imensidão; trocar beijos calientes pela lama da terra encharcada.

Fim, uma graça que o viajante passa e consome.

Partir todos irá... Uma lastima ceifa o coração, que no final do caminho apenas tem um buraco geométrico de sete palmos.

Por aí vago sobre o chão, por acolá também. Da imensidão ouço o choro maldito!

Ceifado, ó Supremo do raiar da vida, concede a água e a esperança. Passa-se o vinho da vida e quebra-se a taça, partir implacavelmente.

Adeus amor dos meus sonhos, adeus vida, adeus êxitos. Ouça irmã o choro do pai em seus cabelos.

Frio! A imensidão se vai... Da terra vem o futuro, adeus! Que voz é essa? E a consciência se vai.